mamãe apareceu um dia desses em casa um livrinho que comprou, chamado: guia da reforma ortográfica.
fiquei curiosa e dei uma olhada nele quase inteiro. é um absurdo!
eu gosto de escrever certo. eu gosto de quem escreve certo. eu fico brava com quem escreve errado. eu me desinteresso por quem escreve errado.
dependendo do erro eu pego ódio. raiva. nojo. fico com vergonha.
o livrinho inicia mostrando alguns acentos que caíram, como por exemplo de ditongos terminados em “ei” e “oi”.
legal!!
legal pra quem?! porque as crianças da nova geração estão fodidas pra aprender a falar essas palavras sem acento.
ex.:
ideia
plateia
estreia
espermatozoide
geleia
foneticamente falando, elas vão se transformar em:
idêia
platêia
estrêia
espermatozôide
gelêia
e pra explicar que não é assim que fala? que tem som de acento agudo, mas não tem acento agudo?!
bom, isso definitivamente não é problema meu!
depois dessa parte, eu passei rapidamente pelos “acentos diferenciais”. essa parte foi moleza, 5 palavrinhas e é só tirar os acentos diferenciais.
ex.:
pára (verbo) e para (preposição)
pélo (verbo) e pêlo (substantivo) e pelo (preposição)
bom, chega de procurar PELO em ovo, e vamos arrancar esses acentos diferenciais, certo?
errado! abaixo ainda constavam mais duas listinhas, denominadas:
“exceções” e “formas facultativas”.
é… alguns acentos diferenciais continuam e alguns são facultativos.
então pra quê isso meu deus? pra quê?
o livrinho começou a me deixar preocupada quando eu passei pela parte de “verbos arguir e redarguir”, que dizia assim:
“o “u” tônico dos verbos arguir e redarguir conjugados na segunda pessoa do singular e na terceira pessoa do singular e do plural do presente do indicativo não serão mais acentuados.”
ufa…essa tá fácil, fala a verdade?
mentira! eu li 3 vezes e não entendi porra nenhuma. quando pensei em ler pela 4º vez, eu me dei conta que eu, sequer, sabia o que significava “arguir” ou “redarguir”. fui pra próxima.
o trema caiu! definitivamente! até que enfim! puta enrolação com essa porra de trema, né?
meu único medo com esse tombo do trema, é que não dê mais pra fazer aquela brincadeirinha que os moleques fazem entre eles:
- ô serginho, você sabe se linguiça tem trema?
- ah paulinho, acho que não tem mais não, viu?
- ah é? então trema na minha linguiça!
ah… eu gosto!
o livrinho tem 30 páginas, e eu ainda tava na página 8. onde entra o “emprego do hífen” e vai até a página 30.
bacana né?
aham… quase 15 páginas só pra regras de hífen!
há quem diga que essa palhaçada toda foi resultado de um acordo entre 8 países que falam português, com intuito de simplificar a grafia e unificar as regras do idioma.
a única coisa que vai realmente me ajudar é pra arrumar um marido.
eu, que não suporto homem que escreve errado, vou sempre ficar na dúvida! se ele esquecer um montão de acento, vai acertar!
se errar um hífen aqui, outro ali, eu não vou saber porque não tive a menor paciência de ler 15 páginas dedicadas ao hífen.
agora se ele se equivocar completamente com a regra do verbo arguir e redarguir…
eu caso e ainda permito que ele tenha amantes!